19. No fim não sobra nada
Ah, garra desfeita de minha pata de amante
decepada de rompante na bravura das tuas convulsões;
guerreiro que jaz no altar do celebrante
o medo sepultou-me em sucessivos aluviões.
Atiro-me corpo a corpo como um boxeur moribundo
perto de ti, mas longe dos golpes mais mortíferos.
Sou um alvo de mim próprio, sou um alvo do mundo
tomo via sexo os mais ferozes soporíferos.
Pacifica-me, meu amor, pacifica violentamente
destroça, esmaga, arruína, brilha com arrogância
tiraniza, afaga, disputa-me insensatamente.
Fiquemos roendo molhados lábios, na cama imersos
chupando sexos, cravados de ânsia
e já desfalecendo, penetrando-nos de versos.
Pode ser que o rio siga… chupando sexos… apertada na inútil mão…