a cave

Posted in delírios, poesia by homem da cave on Dezembro 21, 2006







19. No fim não sobra nada

Ah, garra desfeita de minha pata de amante
decepada de rompante na bravura das tuas convulsões;
guerreiro que jaz no altar do celebrante
o medo sepultou-me em sucessivos aluviões.

Atiro-me corpo a corpo como um boxeur moribundo
perto de ti, mas longe dos golpes mais mortíferos.
Sou um alvo de mim próprio, sou um alvo do mundo
tomo via sexo os mais ferozes soporíferos.

Pacifica-me, meu amor, pacifica violentamente
destroça, esmaga, arruína, brilha com arrogância
tiraniza, afaga, disputa-me insensatamente.
Fiquemos roendo molhados lábios, na cama imersos
chupando sexos, cravados de ânsia
e já desfalecendo, penetrando-nos de versos.





Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 20, 2006







18. Velhos

As vozes dos velhos soam antigas.
Não os vejo, nem os corpos nem os olhares
mas sei que são vozes de velhos, são intrigas
tecidas nas gargantas. São esgares vocais.
São mortais.












Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 20, 2006







17. verdade

Há que repetir a verdade
se não repetir-mos a verdade
é menos uma verdade
mil verdades repetidas
são muitas verdades

mas cada uma diferente
que dita noutro tempo
cada repetição é mais verdade





Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 19, 2006







16. olhar

fizeste de propósito, levaste esse olhar
tão dentro de ti, à volta de mim
sabias como de noite ia brilhar





Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 14, 2006







15. encolhe-se

encolhe-se o dia no inverno
o diamante deste prazer é negro

cheira a algas num mar destroçado
marinheiros pedindo cigarros

Desgraçados! Porque largaram o navio?





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Dezembro 11, 2006







14. Drama

João lançou-se no ar
no seu balão
Nesse mesmo dia
sua prima Joaquina
soube que engravidara
e Manuel, jornalista
o publicou no jornal

Quando João regressou da sua viagem
comprou o periódico e leu o artigo de Manuel
e soube de sua prima

O pai do futuro filho de Joaquina
não gostou
não gostou mesmo nada

Joaquina gostou
gostou de fazer aquele filho
João não gostou de saber
porque em tempos a amara

Seu mal agravou
Desenrola-se o drama

Arminda, secretária
ouve o seu iPod
na praia

Lê o jornal
até que o vendaval o leva
mas ainda pensa:
Intensa paixão
louco o do balão
esta areia queima
se ela gostou
não há teima





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Dezembro 7, 2006







13. A importância do menú

Almoço sózinho
num restaurante feio
carapaus e vinho

Entre vapores de ruído
os clientes revelam-se
no menú puído





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Dezembro 7, 2006







12. bolo com creme

Tenho aqui na sua frente
um bolo com creme

Diga: um bolo com creme
Você disse: um bolo com creme

Agora pode comê-lo
lambê-lo também

Pode engolir
deglutir

Passe bem





Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 6, 2006







11. Logo

Logo te direi: pomar
a maçã furtada não percebeu
o Guilherme Tell

Logo te direi: noite
a lua jamais descerá
aos bares





Posted in poesia by homem da cave on Dezembro 4, 2006







10. céu

suave película muito azul
que fez dos homens aviadores