a cave

Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 28, 2007







34. (chuva) isto só acontece aos incautos

eterno suor da gravata
sufocada
no pescoço do céu
refresca
em pura teimosia
a lembrança da calmaria











Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 27, 2007







33. algures na planície

um insecto pardo
devorando a luz
num muro branco





Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 22, 2007







32. cidade

as casas são contínuas
e a rua abre os braços
quebrando-as

mas toda a perfeição se perde
a tossicar nos concertos
expelindo a língua para perto do primeiro violino





Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 22, 2007







31. exibindo à multidão

beija-me
como apoderada
como a dor nos corpos
como a rectidão
para que
cravado na minha boca
o gosto severo do teu beijo
exiba à multidão





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Fevereiro 9, 2007







30. Entrevista

Registo o nervosismo da sua resposta
Não fosse ela pronta revelaria falta de oportunidade
Não fosse ela nervosa seria insolente
Insolências não toleramos
Torne a responder
Registo a assimilação da similitude entre
Fornos eléctricos e fornos a carvão
Torne a responder
Registo um descair de ombros
A doce aproximação do sono
Torne a responder
Não, não vá por aí
A penumbra em breve ocultará
Esta inutilidade
Torne a responder
Registo que tolos e imbecis divergem
Divergem
Regozijo-me
Torne a responder
Registo a perfeição da resposta
Torne a responder
Torne a responder
Torne a responder
Torne a responder





Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 8, 2007







29. trovoada

puxa-se o tapete a uma nuvem
e a queda vertiginosa no espaço
da fúria de uma dor de aço





Posted in poesia by homem da cave on Fevereiro 2, 2007







28. Sangue digital

Mais logo, vê-me sangrar no youtube.
Sangro por ninguém
sangro inutilmente
o suficiente para estar no youtube.

Meu sangue escorrerá por e-mail
meu sangue estará onde não mais o verei
o perderei para sempre
intensamente digital.