a cave

Posted in poesia by homem da cave on Abril 16, 2007







42. ânsia

sem mãos
para segurar
a bruma
que devora
a ilha
decepado
com um fato
às riscas
o enforcado






Posted in delírios, poesia by homem da cave on Abril 16, 2007







41. Serviços de manutenção

A órbita da terra irrita-se
com as constantes perguntas:
terei fechado o gás?

Os funcionários dos serviços de manutenção
zelam.
Mas terão ficado marcas de esperma?

Cumprem-se alguns horários.
Pela manhã o relógio é mais exigente
mas como não sentir frio?

Outra vez os funcionários dos serviços de manutenção.
Talvez lavando as janelas
fique mais límpido o mundo.





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Abril 2, 2007







40. guache desfocado

Nas noites
o cenário é
jardins gradeados que bordam segredos
nas poças onde a chuva se juntou
leões de bronze mijando nas esquinas
sangue crú
o alcóol traçando com fina navalha a desordem
e porque a temem
polícias a guardam





Posted in poesia by homem da cave on Abril 2, 2007







39. acordar numa madrugada

Abro os olhos
estico os braços
para agarrar os sonhos

Tarde demais:
espetados numa lança
esquecidos e mortais