a cave

Posted in poesia by homem da cave on Maio 28, 2007

 

 

 

47. A rosa

A rosa sobe no elevador.
Mais gorda que bela, a mulher
mais túmulo que cama, a jarra
mais saudade que terra, o jardim.

 

 

 

Posted in poesia by homem da cave on Maio 21, 2007

 

 

 

46.leve

a sede do essencial
é alimentada por escassos homens:
poetas e bárbaros

despindo tecidos
vendo nos diamantes lapidados
a pedra que foram

sujando as unhas
dizendo muito dizendo pouco
e dizendo pouco dizendo pouco

na cama, em pijama
abstracto pensamento
abstracto passatempo

passa o vento

 

 

 

Posted in poesia by homem da cave on Maio 21, 2007













45. Quem quer que seja

Escreve em milhares de folhas numeradas
e depois dá-lhes importância.
O pescoço
é a parte mais flexível do seu pensamento.





Posted in poesia by homem da cave on Maio 14, 2007

 

 

 

44. mapa

deixa escrever neste mapa
o nome de um barco
na parte azul
em qualquer oceano

borda na água uma rota
que passe pelos ventos

iça uma vela
toda branca e latina

se sim
a navegação não termina
em qualquer porto

 

 

 

Posted in delírios, poesia by homem da cave on Maio 9, 2007













43. Superlativo absoluto simples (ou isso)

Se o sol brilha num céu azul
(que lugar comum!)
não é caso para ficar confuso
só porque o corpo arrefece

Se a luz nos obriga a usar ray-ban™
(sempre fica melhor)
não é caso para ficar confuso
só porque vamos morrer
depois de outros terem já morrido
aliás com excelentes resultados

Se é Verão incandescente
não é caso para ficar confuso
só porque rasamos as trevas de um beco
(sem nos estatelarmos)

Se Dante™ descreveu o inferno
(tradução de ©Vasco Graça Moura)
não é caso para ficar confuso
se o inferno nos atrai

Se confundidos estamos
não é caso para ficarmos mais confusos
por não conseguirmos abrir este cofre
que nos ilude de fantasias
(ora aí está)