a cave

66.

Posted in delírios, poesia by homem da cave on Março 27, 2009






seria importante
mas não foi

seria feliz
e morreu

seria belo
e estropiou-se

tudo se revelou tremendamente branco

um branco de verso de poema

como tal
tremendamente recusado

tal como
tremendamente não se usa em poesia

e essa coisa da voz e tal
da voz poética

ouvindo vozes
ficando loucos

que grande porra
vai rever o que escreves

outros dizem:
o terreno arado da literatura
ou será o campo lavrado
o campo de futebol lavrado

tudo são campos
alguns impraticáveis para a prática

por lá passaria
e não passou

por esses campos eivados

seria louco outra vez
e não conseguiu






63.

Posted in delírios, poesia by homem da cave on Fevereiro 6, 2008














lancetei o âmago
para testar a lâmina

não me interesso por anatomia





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Janeiro 28, 2008







61.

Enlarge your penis heart brain





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Janeiro 24, 2008







59.

Chegou novo correio. Deseja lê-lo agora?
Não responderei jamais
a perguntas impertinentes do outlook.





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Junho 7, 2007

 

 

 

48. A decadência de Desmond

Desmond, o ex-mordomo de Rip Kirby
serviu-me um café na esplanada.
Se não era Desmond
era o imenso adeus
um eco no abismo
percutindo revistas de capas coloridas.
Depois, em euforia
distante do ar que sempre lhe conheci
Desmond trouxe-me os óculos de Rip Kirby numa bandeja.
Se já existisse música
talvez retribuísse com um sorriso
mas tudo isto se passava
num mundo a preto e branco
(pelo que as capas coloridas eram ilusórias)
uma época em que o meu cigarro não seria censurado
embora raspando aquela superfície
sentisse vontade de fechar os olhos
e sair para sempre.

 

 

 

Posted in delírios, poesia by homem da cave on Maio 9, 2007













43. Superlativo absoluto simples (ou isso)

Se o sol brilha num céu azul
(que lugar comum!)
não é caso para ficar confuso
só porque o corpo arrefece

Se a luz nos obriga a usar ray-ban™
(sempre fica melhor)
não é caso para ficar confuso
só porque vamos morrer
depois de outros terem já morrido
aliás com excelentes resultados

Se é Verão incandescente
não é caso para ficar confuso
só porque rasamos as trevas de um beco
(sem nos estatelarmos)

Se Dante™ descreveu o inferno
(tradução de ©Vasco Graça Moura)
não é caso para ficar confuso
se o inferno nos atrai

Se confundidos estamos
não é caso para ficarmos mais confusos
por não conseguirmos abrir este cofre
que nos ilude de fantasias
(ora aí está)






Posted in delírios, poesia by homem da cave on Abril 16, 2007







41. Serviços de manutenção

A órbita da terra irrita-se
com as constantes perguntas:
terei fechado o gás?

Os funcionários dos serviços de manutenção
zelam.
Mas terão ficado marcas de esperma?

Cumprem-se alguns horários.
Pela manhã o relógio é mais exigente
mas como não sentir frio?

Outra vez os funcionários dos serviços de manutenção.
Talvez lavando as janelas
fique mais límpido o mundo.





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Abril 2, 2007







40. guache desfocado

Nas noites
o cenário é
jardins gradeados que bordam segredos
nas poças onde a chuva se juntou
leões de bronze mijando nas esquinas
sangue crú
o alcóol traçando com fina navalha a desordem
e porque a temem
polícias a guardam





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Março 22, 2007







36. Ode ao ódio

Ó ódio
crosta do mundo
estilhaça logo
de um brado
as lanças levantadas!

De ti espero iguais maravilhas
às que a imaginação derrotou!

Bramidos
de gargantas fétidas
o medo
com febre mortal!

Remodela o telejornal
o governo
e a nação acocorada

Tem piedade
desta nova ordem
abençoa os polícias
e a fúria decepada

Ódio sagrado
limpa as tripas aos sujos
e paga os impostos
aos insolventes!

Ódio cristalino!
Ódio refulgente!
Ódio inteligente!

Ocupa com o teu talento
esta colossal ausência

Põe por nós
vetustas vestes
na nossa demência!





Posted in delírios, poesia by homem da cave on Fevereiro 9, 2007







30. Entrevista

Registo o nervosismo da sua resposta
Não fosse ela pronta revelaria falta de oportunidade
Não fosse ela nervosa seria insolente
Insolências não toleramos
Torne a responder
Registo a assimilação da similitude entre
Fornos eléctricos e fornos a carvão
Torne a responder
Registo um descair de ombros
A doce aproximação do sono
Torne a responder
Não, não vá por aí
A penumbra em breve ocultará
Esta inutilidade
Torne a responder
Registo que tolos e imbecis divergem
Divergem
Regozijo-me
Torne a responder
Registo a perfeição da resposta
Torne a responder
Torne a responder
Torne a responder
Torne a responder